Faculdade de programação: por que tantos desistem?

Faculdade de programação é algo bastante peculiar… Das dezenas de alunos que entram, apenas uma pequena parte consegue finalizar a graduação depois de 4 ou 5 anos. Veja o meu caso: das 70 pessoas (contando comigo) que entraram no curso de Ciência da Computação, apenas 10 chegaram ao final depois de 4 anos.

Isso é fato: a taxa de desistência de pessoas que fazem faculdade de programação é bastante alta. Mas por que isso acontece? Eu gravei um vídeo justamente pra discutir esse assunto. Confira!

 

 

No meu primeiro dia de aula no curso de Ciência da Computação, no começo do ano 2000, o coordenador do curso levou todos os 70 alunos do curso pra um auditório e perguntou o seguinte pra cada um dos alunos: “por que você escolheu o curso de Ciência da Computação?“.

No meu caso, a resposta foi muito fácil. Eu sempre fui apaixonado por programação (comecei a brincar com lógica de programação quando eu tinha 10 anos de idade) e eu não me via fazendo outra coisa na vida. Eu realmente gostava da área e queria estar lá. Era o meu sonho.

Só que eu ouvi de outros alunos respostas como essas:

 

“Meus pais querem que eu estude computação.”
“Programação é a profissão do futuro.”
“Ser programador dá dinheiro.”
“Gosto muito de jogos de computador.”

 

E teve até um freira que entrou no curso e falou o seguinte:

 

“Lá na paróquia ninguém sabe usar o computador, então eu estou aqui pra aprender.”

 

O mais curioso disso tudo é que todas as pessoas que deram as respostas acima não conseguiram se formar. E eu atribuo isso pelo fato de que elas não estavam estudando porque realmente gostavam e queriam estar lá, mas sim porque tinham expectativas que não condiziam com a realidade.

Numa faculdade de programação (Ciência da Computação, Análise de Sistemas, Engenharia da Computação, etc.) você vai estudar muito mais do que só programação. Existem diversas disciplinas envolvidas e o aluno precisa se adaptar às exigências inerentes à área de exatas. Pra ter sucesso é necessário lidar com a matemática, melhorar o inglês e, principalmente, gostar de programar!

Quando a pessoa escolhe um curso da área de programação, ela tem que estar ciente do que ela vai encontrar no curso e, antes mesmo de fazer o vestibular, decidir se realmente está disposta a encarar o que vem pela frente.

Faculdade de programação não é fácil, por isso que as pessoas que estão lá com as expectativas erradas normalmente se dão mal. Ao mesmo tempo, a área de programação é muito recompensadora pra quem realmente gosta, se dedica e faz acontecer 🙂

Você tem alguma história curiosa sobre faculdade de programação? Ou já está com medo só de pensar em entrar na faculdade? Compartilha com a gente!

Sobre o autor

Carlos Tosin

Carlos Tosin

Carlos Eduardo Gusso Tosin é formado em Ciência da Computação pela PUC-PR, pós-graduado em Desenvolvimento de Jogos para Computador pela Universidade Positivo, Mestre em Informática na área de Sistemas Distribuídos, também pela PUC-PR. Trabalha profissionalmente com Java desde 2002 e possui 6 anos de experiência no desenvolvimento de sistemas para a IBM dos Estados Unidos, utilizados a nível mundial. Atua desde 2005 com treinamentos de profissionais em grandes empresas e escreveu diversos artigos para a revista Java Magazine. Possui as certificações da Sun (agora Oracle) SCJP, SCJD,SCWCD, SCBCD, SCEA, IBM SOA e ITIL Foundation.

Comentários (13)

  • Mauricio Souza da Silva

    Boa Noite, Carlos Tosin. Me de boas razões para começar uma Graduação em Programação, tendo em vista que tenho 52 anos. O Mercado contrata, somente jovens. Ah, sou Contador, tenho muita habilidade com informática!

    • Waldir dos Santos

      Maurício, tudo bem? Vou falar por mim: creio que é você mesmo quem tem que encontrar uma boa razão para iniciar uma faculdade de TI. Gostar de informática já é um bom começo. Um detalhe: eu estou cursando análise e desenvolvimento de sistemas, comecei no ano passado e estou no terceiro semestre. Minha idade? Completei 60 anos em setembro!

      • marcel

        Eu 43 estou no último ano, você pode trabalha por conta própria, se cadastrar em sites de projetos, não esperar ser contratato e até mesmo ter um negócio próprio!

    • marcel

      você pode atuar como freelncer em sites de projetos, abrir um negócio próprio e não esperar ser contratado.
      Tenho 43 e me formo agora

    • Paulo Cesar Alexandrino

      Eu tenho 55 anos e vou me matricular no curso de Analise e Desenvolvimento de Sistemas para o primeiro semestre de 2019. A boa razão? Ah, enquanto se está vivo se aprende e senenhuma empresa me contratar, posso trabalhar da mesma maneira como free lancer ou abrir minha própria agencia.

    • Anônimo EC

      No meu pessimismo, não vejo razão.
      Eu no seu lugar, investiria em um bom curso de uma linguagem específica, área específica (desktop, web, mobile), e seguia em frente, pensando em desenvolver e vender, não trabalhar pros outros, pois vejo isso mesmo que você falou, só contratam jovens.

      Observação: Tenho 30 anos, 10 de programação. Cargos de analistas pegam pessoas mais velhas, mas aí necessitam de experiência de longos anos. (me corrijam se eu estiver errado)

  • Carlos frinka

    Olá sempre tive curiosidade sempre tento mecher com programação com linguagens delphi e java e queria muito fazer faculdade de programação.
    É uma area muito interessante.

    • Lucas Fernandes de Melo

      Estou com o Carlos Tosin, primeiro é preciso gostar muito e conhecer a fundo as peculiaridades da área de computação, principalmente a área de programação que vai abranger programação e outros conhecimentos diversos para que possa concluir excelentes trabalhos. Mas em relação ao mercado de trabalho isso é muito relativo, pois quem sabe programar bem pode desenvolver inúmeros tipos de soluções para problemas que não são corriqueiros e aí é que está o “caminho das pedras”. Como disse Donald Trump em uma entrevista quando a reporter lhe perguntou: “Já teve algo que você desejou e não conseguiu?”, ele respondeu: “Dizem que o ser humano só usa 1% da capacidade do seu cérebro, se você usar um pouquinho mais poderá conseguir tudo que quiser!”.

  • RAPHAEL DE OLIVEIRA

    Cada um possui o seu tempo certo. Tenho 30 anos e ja sou graduado porém estou no 3o sem de ADS e foi a melhor decisão que tomei pra minha vida. Como o Carlos ja comentou…se for pra ser programador, seja um solucionador de problemas e tenha esse diferencial. Porque de programador medíocre ja está saturado. Outra área que chama atenção e tbm meche com programação é a de Ciência de Dados e pode ser interessante tbm e está menos saturada.

  • Ana Claudia Dzulinski

    O grande problema em se formar na área de TI é o péssimo salário oferecido pelas empresas. Aqui onde moro os salário oferecidos ficam entre R $1200,00 a R $1700,00. E ainda exigem um enorme conhecimento, várias linguagens de programação, ou aina experiência na área. Eu mesma desisti pois sou concursada, trabalho em empresa pública exercendo atividade totalmente diferente da minha área de formação, com salário 3 vezes maior do que oferecem em TI.

  • Samuel Teodoro Ferreira

    Me lembro de uma das primeiras aulas, era Matemática para Computação, e em uma dessas aulas o professor pedia pra montar um algorítimo que resolvesse a fórmula de bhaskara. Acreditem… Vi um monte de gente perguntado qual era a tal fórmula.
    Pensei comigo… Esse povo está no curso errado.
    Foram desistindo … desistindo… e no terceiro semestre veio um professor que possuía três matérias:
    Circuito, processadores e alguma outra que não me lembro… Passou a régua em um monte. Várias ficaram reprovadas, inclusive eu.
    Tive que ser bastante persistente, pois não me via em outro curso. Aprendi a trabalhar com computação com 13 anos, ainda na década de 90.
    Hoje sou Coordenador de Ciência e Tecnologia, e gerencio projetos na área de aplicações web, mas fora do trabalho pesquiso IoT, banco de dados não relacionais, UX, UI … O negócio e está sempre buscando o novo, sempre ir se atualizando.
    Muita coisa no curso achei inútil … ainda me lembro que, quando levei o assunto arduíno pra sala de aula em 2007, pois havia conhecido através de um artista chamado Márcio Ambrosio no AnimaMundi no Rio de Janeiro… Quando falei em sala de aula houve professor que torceu o nariz e fingiu ser algo inútil e que eu falava besteira… e hoje vejo o mesmo rodando toda região mostrando rôbos arduíno.

  • Giovani André

    Excelente post, Carlos. Leitura interessante para àqueles que estão pensando em entrar no mundo da programação.
    Quando ingressei no curso de Sistemas de Informação, em 2011, minha turma contava mais de 50 alunos. No terceiro semestre, tinha em torno de 25 e na colação de grau, 5 alunos (incluindo eu).
    Um engano é pensar que vai aprender programação somente na faculdade. Lá se aprende, no máximo, a teoria. Inclusive, também sou traumatizado com JAVA pelo contato que tive na faculdade. Já trabalhei com Delphi e hoje trabalho como Analista de Sistemas Senior e programador ABAP Senior (SAP).
    Resolvi voltar ao mundo JAVA após assitir seu webinar ontem (OO com LEGO). Você me convenceu (em partes) de que o problema não é o JAVA e sim que, na época, não aprendi OO da forma que deve ser. No Delphi, trabalhei em software house e não usavam OO (usavam orientação a eventos). Hoje trabalho com ABAP, onde utilizamos bastante os conceitos de OO (classes, objetos, métodos, etc).
    Um conselho para quem está pensando em ingressar no mundo dos computadores é reforçar o que o Carlos disse: analise bem se é isso que você quer, que realmente gosta, não vá pelo dinheiro. Pense: “Aquele que encontra um trabalho do qual gosta, não precisará trabalhar um só dia em sua vida.”
    Abraço a todos!

  • Francisco

    Nao perca seu tempo com faculdade………..

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